Emoção e inteligência animal

Um feliz lulu da Pomerânia
Imagem cedida Stock.xchng
Alguns animais parecem felizes quando brincam. Mas cientistas discordam de que essa aparência seja sinal de emoção verdadeira.
Em "What the Animals Tell Me," Sonya Fitzpatrick descreve várias experiências espirituais com animais. Em suas anedotas, ela descreve animais como seres surpreendentemente inteligentes e complexos emocionalmente. São muito parecidos com pessoas em corpos de animais. Durante suas sessões, animais se lembram de eventos de um passado distante. Experimentam e vocalizam emoções e transmitem seus sentimentos. Outros profissionais contam histórias parecidas. Segundo os videntes, animais são conscientes, possuem autoconhecimento e são capazes de pensar e experimentar emoções da mesma forma que os humanos.

Muitas pessoas já viram seus animais de estimação se comportarem de forma que sugere que eles tenham emoções. Por exemplo, alguns cachorros choramingam quando seus donos saem de casa e alguns gatos parecem ter ciúmes de outros animais. Mas cientistas não chegaram a um consenso se esses fatos são indicadores de emoções verdadeiras. Emoções podem ser muito difíceis de definir: filósofos, psiquiatras e médicos nem sempre concordam a respeito do que são ou como funcionam em seres humanos. Animais não conseguem descrever o que sentem da mesma forma que os humanos fazem; portanto, é ainda mais difícil estudar suas emoções.

Além disso, níveis de hormônio e neurotransmissores podem fazer que pareça que um um animal está experimentando emoções. Mas essas substâncias químicas não necessariamente criam emoções. Por exemplo, na maioria dos mamíferos, hormônios como oxitocina normalmente causam a ligação entre as mães e seus filhos. Por causa disso, uma cadela atenciosa pode dar a impressão de que ama seus filhotes. Ela, porém, pode não ser capaz de interpretar sua necessidade de amamentar, dar banho e cuidar de sua cria como sendo amor. Por essa razão, muitos cientistas relutam em usar comportamento animal como prova de capacidade emocional.

No entanto, pesquisas recentes (em inglês) sugerem que animais experimentam emoções como alegria, raiva e sofrimento. Eles também sentem dor (em inglês) e sofrem de estresse. O neurocientista Jaak Panskipp conduziu experimentos (em inglês) que sugerem que animais também podem sentir outras emoções. De acordo com Panskipp, o cérebro intermediário, uma área primitiva do cérebro, produz efeitos básicos de emoções em todos os mamíferos, inclusive seres humanos. Entre eles estão:

  • medo
  • raiva
  • desejo
  • sofrimento por separação
  • vontade de brincar
Panskipp também acredita que o cérebro intermediário crie outras emoções, como o desejo de ser alimentado e de cuidar dos outros [ref. (em inglês)].

A região do cérebro intermediário
O cérebro intermediário é uma das
regiões mais primitivas do cérebro

Alguns dos trabalhos de Panskipp são controversos, mas a idéia de que animais experimentam emoções parece estar pegando. No entanto, existe uma diferença entre sentir uma emoção e ser capaz de pensar a respeito, ou analisar essa emoção. Um cachorrinho pode ter medo de seus barulhentos colegas de ninhada, mas provavelmente não possui o nível de raciocínio necessário para culpar sua mãe por tal experiência. Mesmo cientistas como Panskipp, que divulgam idéias de que animais têm sentimentos, duvidam que eles tenham capacidade intelectual para pensar sobre seus sentimentos.

Videntes de animais e cientistas também diferem em seus pensamentos sobre consciência animal ou potencial para maior raciocínio e autoconhecimento. Eles também descrevem animais como tendo identidades distintas dos animais que os rodeiam. Ou seja, são autoconscientes. Assim como a consciência humana, a consciência animal não é totalmente compreendida. Cientistas não concordam totalmente que animais sejam conscientes ou em até que nível são autoconscientes. Alguns animais mostram sinais de consciência, como reconhecer a si mesmos no espelho ou reagir à morte de outros animais. Cientistas, contudo, ainda não encontraram provas de que animais sejam completamente autoconscientes como os videntes de animais dizem que são.

A descrição que os videntes fazem dos animais e de seus métodos de comunicação é cientificamente questionável. Por esse motivo, muitas pessoas não acreditam neles. Algumas dizem que profissionais aparentemente de sucesso não são videntes coisa nenhuma, estão apenas praticando leitura fria.

Leitura fria, algumas vezes usada para explicar PES, tarô e adivinhação, é um método para obtenção de informações pessoais. Céticos dizem que todos os videntes sabem usar leitura fria e não possuem poderes paranormais. Eles encorajam a pessoa que está sendo atendida a fornecer todos os detalhes. O resultado pode ser muito convincente.

Uma pessoa que sabe usar leitura fria e que diz ser um vidente de animais provavelmente possui um bom conhecimento a respeito de psicologia humana e comportamento animal. Com esse conhecimento em mente, ela poderia:

  • dizer o óbvio - poderia ver um cachorro morder suas patas e dizer: "Ele diz que suas patas o perturbam. Elas coçam o tempo todo";
  • usar linguagem vaga - uma declaração, como "Ele diz que algo está diferente em casa", pode levar o dono a deduzir que mudança é essa. Se o dono responder "Eu comprei novas almofadas para a sala de estar," o profissional baseará sua resposta nessa informação. Ele pode responder: "Sim, ele diz que as almofadas tem um cheiro esquisito. Você me disse que ele fica raspando a porta. Ele diz que está tentando escapar do cheiro";
  • fazer declarações que provavelmente são verdadeiras - a maioria dos gatos que vivem dentro de casa gosta de sentar na janela e ficar olhando para fora. Se uma pessoa praticando leitura fria disser: "Ele é muito curioso. Ele diz que adora sentar na janela e ficar olhando o que está acontecendo no mundo", ela provavelmente estará certo;
  • fazer perguntas - profissionais de sucesso fazem muitas perguntas para obter detalhes. Quando uma pessoa em atendimento responde a uma pergunta, o profissional normalmente repete ou reformula a resposta. Ele também usa as respostas para decidir o que perguntar em seguida.
Aplicando direitinho os princípios de leitura fria, uma pessoa pode parecer um vidente de verdade. Mas a leitura fria não explica as histórias de aparente sucesso dos videntes de animais. Muitos deles dizem que encontraram animais desaparecidos, resolveram problemas de comportamento ou ajudaram a curar animais doentes ou feridos. Céticos normalmente dizem que esses sucessos são apenas coincidências. Dizem também que esses videntes aumentam suas habilidades de leitura fria contando aos donos dos animais o que eles querem ouvir: que os maus comportamentos desaparecerão, que os animais desaparecidos retornarão para casa e que animais falecidos estão em um lugar melhor.

Não importa se usam poderes paranormais ou técnicas de leitura fria, os videntes de animais estão ficando cada vez mais populares nos últimos anos. Isso pode fazer parte da tendência generalizada de aumento de gastos com animais. Segundo a American Pet Products Manufacturers Association (Sociedade de Produtores de Artigos para Animais de Estimação dos EUA), donos de animais gastaram $17 bilhões de dólares com seus animais em 1996. Em 2005, esse número mais do que dobrou, atingindo US$ 36,3 bilhões. Analistas de indústria acreditam que esse aumento nos gastos ocorreu graças a um aumento das populações de alta renda. Essas populações includem pessoas que nasceram entre 1946-1965 e casais que optaram por não ter filhos [ref. (em inglês)].

Para mais informações a respeito de animais, atividades paranormais, leitura fria e assuntos relacionados, confira os links na próxima página.

Contradições dos videntes
Muitos videntes retratam os animais como seres altamente desenvolvidos, que possuem melhor compreensão do universo do que seres humanos. Sonya Fitzpatrick descreve animais como mais inocentes e puros do que seres humanos e diz que eles nunca ferem uns aos outros de propósito.

No entanto, suas anedotas no livro "What the Animals Tell Me" algumas vezes contradizem essas afirmações. Por exemplo, ela conta a história de uma tartaruga que pede para ter um amigo peixe. Mais tarde, a tartaruga come o peixe. Quando Fitzpatrick pergunta a respeito do assunto para a tartaruga, ela diz que sabia que não ganharia um peixe se dissesse que iria comê-lo. Ou seja, a tartaruga mentiu para Fitzpatrick e deliberadamente comeu o peixe que seria seu companheiro.

Videntes de animais também discordam sobre como animais usam informações sobre seus donos. Fitzpatrick diz que animais são fofoqueiros e que compartilham informações íntimas e embaraçosas a respeito de seus donos. Por outro lado, Debbie McGillivray, autora de "The Complete Idiot's Guide to Pet Psychic Communication", diz que animais são inocentes e leais. Segundo ela, um animal jamais envergonharia seu dono revelando informações pessoais e sensíveis.