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Parece que tudo é bactericida hoje em dia. Cerca de 75% dos sabonetes líquidos vendidos atualmente, em lojas americanas, possuem essa palavra no rótulo e a adição de produtos bactericidas aos nossos arsenais de limpeza não tem fim. Isso tudo significa que estamos mais limpos do que jamais estivemos? Alguns especialistas dizem que não.

Primeiro, vamos dar uma olhada em como os sabonetes funcionam no nível químico. Para fazer um sabonete, é preciso combinar um ácido e uma base, ou base alcalina. O ácido, em nosso caso, é gordura, ácidos graxos e triglicérides, enquanto a base é o hidróxido de sódio NaOH. Essa mistura faz com que os ácidos graxos se separem dos triglicérides e se fundam aos íons de hidróxido, formando um sal que chamamos de sabonete. O sabonete possui duas funções principais:

  • diminuir a superfície de tensão da água
  • unir-se à sujeira, óleo e bactérias

Ele consegue realizar essas ações porque uma parte da molécula de sabão é hidrofílica, une-se à água, enquanto a outra é hidrofóbica, ou seja, repele a água. A parte hidrofílica permite que os ácidos graxos hidrofóbicos entrem em contato com outras substâncias hidrofóbicas, tais como a sujeira da superfície que está sendo limpa. Quando essa sujeira adere aos ácidos graxos do sabonete, ela é encapsulada por gotas de água. E nesse estado de suspensão, sujeira, óleo e bactérias são facilmente removíveis com água. Isso significa que o sabonete comum consegue eliminar as bactérias. Mas será que o sabonete bactericida elimina ainda mais?

Possivelmente. Porém, devemos levar vários pontos em consideração nesse afã por produtos bactericidas:

  • os componentes bactericidas dos sabonetes, normalmente triclosan ou, com menos freqüência, triclocarbono, precisam ser deixados sobre a superfície por cerca de dois minutos para surtir o efeito desejado. A maioria das pessoas não é tão paciente assim e acaba removendo o sabonete antes que os ingredientes bactericidas entrem em ação;
  • alguns cientistas são adeptos da teoria de que as bactérias podem acabar desenvolvendo uma resistência aos agentes bactericidas após um período de tempo;
  • há bactérias que são benéficas para nós. A população normal de bactérias em nossos corpos não apenas suga suor como também nos auxilia na defesa contra bactérias invasoras e nocivas;
  • várias doenças comuns são de natureza viral e não podem ser prevenidas por produtos bactericidas.

De acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos EUA), os sabonetes bactericidas não são necessários, já que a maneira mais eficaz para impedir infecções é lavar bem as mãos com sabonete comum e água morna

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