Os altos e baixos de se estar apaixonado

Estar apaixonado é uma experiência ao mesmo tempo desejada e temida por muitas pessoas. Isso porque, ao mesmo tempo que a paixão nos dá uma sensação de bem-estar constante, como se estivéssemos “flutuando” (daí a expressão “ele/ela me deixa nas nuvens”), também pode nos causar muita dor, quando as idealizações se transformam em decepções a respeito do ser amado ou quando o desenrolar do relacionamento não corresponde às nossas expectativas.

Alguns especialistas em psicologia até associam o amor romântico a um tipo de neurose (como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo – TOC), dependência química (como o alcoolismo e o vício em drogas) ou irracionalidade. Outras pessoas, menos drásticas, preferem comparar um relacionamento amoroso a uma montanha-russa emocional, com subidas e descidas, curvas e loops, que às vezes podem nos desequilibrar, inclusive física e mentalmente.


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Para manter a sanidade e cuidar bem do relacionamento, é importante que as duas pessoas que formam o casal cultivem e respeitem a integridade um do outro. Assim, podem-se evitar carências, exigências irreais, ressentimentos e mal-entendidos, e o namoro poderá crescer no seu próprio ritmo, sem ser prejudicado por desajustes emocionais de vários tipos.

Mas se você é o tipo de pessoa que gosta de “se entregar” e viver com toda a intensidade os altos e baixos do amor, deve ter achado a explicação acima um tanto “certinha” demais, e capaz de tirar todo o tempero do amor.

Mas, segundo a revista feminina norte-americana The Cosmopolitan, “relacionamentos são cíclicos, e enfrentar crises não apenas é inevitável, mas necessário”.

As fases pelas quais um relacionamento passa são únicos para cada casal, variando de acordo com suas personalidades, estilos de vida, objetivos em comum e vários outros fatores. Mas todo mundo concorda que a esmagadora maioria dos relacionamentos começa com uma fase impulsionada por hormônios que nos dão uma sensação de euforia constante, e que nos fazem ver o mundo como que através de uma “lente cor-de-rosa”.

Passado esse período inicial em que tudo dá certo, e em que tudo o que a pessoa amada faz é lindo, encantador e perfeito, vêm as fases em que nos acostumamos um ao outro e começamos a perceber falhas no ser amado que passam a incomodar.

Para não destruir um namoro promissor acreditando que esse é fim da linha para seu amor, vale a pena ter paciência e compreender que os sentimentos tendem a amadurecer com o tempo, e que a paixão inicial se transforma em uma miríade de emoções igualmente valiosas, como o amor, a amizade, o respeito e admiração mútuos, o companheirismo, o afeto e a ternura, apenas para citar alguns.

É claro que a paixão precisa ser cultivada sempre, mas não é porque o casal não tem mais tanta vontade de fazer sexo que o relacionamento está condenado. Muito pelo contrário. Quase todos os casais que estão juntos há vários anos já vivenciaram hiatos no desejo sexual que sentem um pelo outro – mais uma fase do relacionamento que, se for enfrentada da maneira adequada pelo casal, levará ambos a um nível novo e mais profundo em sua vida a dois.

Quais os sinais de que estou apaixonado?

Geralmente, não há como enganar a si mesmo por muito tempo, e logo percebemos quando estamos apaixonados. Mas, caso você precise de uma ajudinha da ciência para avaliar seu grau de paixonite, a antropóloga Helen Fischer dá algumas dicas. Ela é especializada nas bases biológicas para o amor, e explica que um dos sinais de que a pessoa está apaixonada é considerar a pessoa amada como perfeita, única, idealizada, e foco central de nossa atenção.


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Isso por causa de um excesso de dopamina, um hormônio associado ao foco e concentração, e que nos faz pensar quase que exclusivamente em apenas uma coisa enquanto estamos apaixonados – o objeto de nosso amor.

Se você também se pega sonhando acordado a respeito de alguém, relembrando coisas triviais – como a maneira como ela arruma o cabelo, ou como ele gosta de beber seu café – é bem provável que esteja nutrindo sentimentos amorosos.

As paixões mais violentas podem causar até mesmo insônia, perda de apetite, perda de peso, crises de euforia (seguidas por crises de depressão se o relacionamento não é correspondido ou sofre um período de estagnação), aumento do nível de ansiedade, perda de foco e baixa produtividade no trabalho e nos estudos.

Pessoas apaixonadas afirmam passar em média 85% do seu tempo pensando de maneira obsessiva na pessoa amada, ainda que de maneira involuntária.

Como evitar uma decepção?

Infelizmente, é impossível evitar uma decepção amorosa, mas você pode fazer sua parte para que o relacionamento evolua de maneira saudável, apesar da festa hormonal que está acontecendo dentro do seu corpo.


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Antes que tudo, procure manter uma postura positiva em relação ao namoro, equilibrando-a com uma visão realista (na medida do possível!) de como o relacionamento pode evoluir. Procure conhecer bem a outra pessoa, considerar o fato de que todos temos falhas, e que o importante é que vocês se sintam felizes ao lado um do outro.

Mantenha a comunicação sempre aberta, evite conflitos por bobagens, crises de ciúme e excesso de insegurança, dando espaço para o outro continuar realizando atividades de que gosta, como hobbies e esportes, mesmo que não incluam você.

Procure, no decorrer do relacionamento, conhecer os amigos um do outro, assim como os familiares. Isso poderá fortalecer o vínculo entre o casal e lhe dar mais confiança na hora de avaliar se essa é realmente a pessoa certa para você a longo prazo.