O carburador

O carburador de uma motosserra é bastante simples, como são os carburadores em geral, mas não é algo totalmente descomplicado. A tarefa do carburador é medir com precisão quantidades extremamente pequenas de combustível e misturá-las com o ar que entra no motor, para que este funcione adequadamente.

Se não houver combustível suficiente misturado com o ar, o motor fica lento ou não funciona ou fica potencialmente prejudicado. Em um motor de dois tempos, o combustível também é o lubrificante para o motor. Se houver muito combustível misturado com o ar, o motor fica muito "rico" e não funciona (afoga), emite muita fumaça, funciona mal (desliga, apaga com facilidade) ou, no mínimo, gasta combustível. O carburador é o responsável por fazer a mistura certa.

O carburador de uma motosserra é mais simples do que a maioria dos carburadores, pois ele tem que dar conta de três situações:

  • tem que funcionar nas tentativas de ligar o motor frio;
  • tem que funcionar quando o motor está em espera;
  • tem que funcionar quando o motor está aberto.
Ninguém que opera uma motosserra está interessado nos níveis existentes entre a posição de espera e a de aceleração total; então, o desempenho incremental entre esses dois extremos não é muito importante. Nos carros, as gradações são importantes, e é por isso que o carburador de um automóvel é muito mais complexo.

É possível ver o carburador da motosserra nas seguintes fotos:


Foto 1: este é o lado que se conecta ao motor


Foto 2: este é o lado que recebe o ar externo através do filtro de ar

Estas são as peças do carburador:

  • essencialmente, um carburador é um tubo;
  • há uma peça ajustável que corta o tubo chamada borboleta de aceleração, que controla quanto ar pode passar pelo tubo. É possível vê-lo na foto 1 acima;
  • em uma parte do tubo há um estreitamento, chamado difusor; neste estreitamento cria-se um vácuo. É possível ver o difusor na foto 2;
  • nesse estreitamento há um orifício, conhecido como giclê, que permite que o vácuo sugue o combustível. É possível ver o giclê no lado esquerdo do difusor na foto 2.

O carburador está operando "normalmente", com aceleração total. Neste caso, a borboleta de aceleração é paralela ao comprimento do tubo, permitindo a circulação máxima de ar no carburador. O fluxo de ar cria vácuo no difusor, e esse vácuo aspira uma certa quantidade de combustível através do giclê. É possível ver dois parafusos na parte superior direita do carburador na foto 1. Um desses parafusos (com a indicação "Hi" no caso da motosserra) controla quanto combustível entra no difusor na aceleração total.

Quando o motor está em espera, a borboleta de aceleração fica quase fechada; a posição da borboleta de aceleração nos fotos é a de espera. Não há quase ar suficiente passando pelo difusor para criar um vácuo. No entanto, na parte traseira da borboleta de aceleração há bastante vácuo, pois ela está restringindo o fluxo de ar. Se for feito um pequeno furo na lateral do tubo do carburador, o combustível é aspirado para dentro do tubo pelo vácuo da borboleta. Este pequeno furo chama-se bico de descarga. O outro parafuso do par visto na foto 1 é denominado "Lo" e controla a quantidade de combustível que flui pelo bico de descarga.

Quando o motor está frio e você tenta iniciá-lo com o arranque, ele funciona em uma RPM (rotação por minuto) extremamente baixa. Ele também está frio, por isso precisa de uma mistura bastante rica para iniciar. É nesse ponto que o afogador entra em cena.

Quando ativado, o afogador cobre totalmente o difusor. Se a borboleta estiver bem aberta e o difusor tampado, o vácuo do motor aspira bastante combustível através do giclê e do bico de descarga. Geralmente, essa mistura rica permite que haja uma ou duas explosões do motor, ou que ele funcione muito devagar. Se você abrir o afogador, o motor começará a funcionar normalmente.