Escolher amigos pode ter uma razão genética

Autor: 
Mariana Noffs

 

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© istockphoto.com / Catherine Yeulet

Pesquisadores dos Estados Unidos descobriram evidências preliminares de um componente genético relacionado à amizade. O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou outras duas pesquisas americanas que continham dados genéticos e informações sobre amizades dos participantes.

Os pesquisadores descobriram que portadores de um gene associado ao alcoolismo tendem a ficar juntos. No entanto, pessoas com um gene ligado ao metabolismo de substâncias como a nicotina pareciam manter-se afastadas de outras com o mesmo gene. Os pesquisadores não sabem o motivo, mas suspeitam que seja uma tática de defesa. Esse mesmo gene já foi associado à abertura das pessoas a novas ideias e situações.

Foram encontrados padrões similares em casais, em que os indivíduos evitam parceiros que sejam suscetíveis às mesmas doenças. Claro, há muitas ressalvas em relação a essas conclusões. As pessoas que gostam de beber podem ter conhecido a maioria dos amigos no bar ou outra balada, e isso explica qualquer ligação genética.

O líder do estudo, James Fowler, da Universidade da Califórnia, diz que os genes podem explicar por que algumas vezes nós instintivamente gostamos - ou odiamos - algumas pessoas no momento em que as conhecemos. "Aquela sensação de ter certeza que vamos gostar de uma pessoa, ou quando não vamos com a cara dela - muitas vezes temos esses instintos e não sabemos de onde eles vêm", disse Fowler em entrevista à BBC. Compreender os genótipos que estão por trás das amizades podem ajudar a entender como funciona esse processo, mas ainda são necessários mais estudos na área.

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Publicado em 18/01/2011