A curiosidade domou o gato: domesticação felina

Autor: 
Jane McGrath
estátua egípcia de um gato
Kenneth Garrett/National Geographic Collection/Getty Images
Estátua egípcia de um gato. A estátua foi descoberta nas ruínas de Bubastis.

Em um contraste marcante com os cães, os gatos não evoluíram para uma aparência ou comportamento muito diferente dos de seus ancestrais selvagens. Esse fato criou dificuldades para os cientistas determinarem exatamente quando os gatos foram domesticados.

Apesar de as evidências mostrarem que os gatos provavelmente não evoluíram dos grandes felinos modernos, como os leões e os tigres, os arqueólogos não podem usar os formatos dos ossos antigos e os cientistas não podem investigar o DNA (em inglês) para distinguir entre os pequenos felinos selvagens de antigamente e os felinos domesticados modernos. Porém, algumas evidências levam os cientistas a acreditar que o gato doméstico moderno (Felus catus) pode ter descendido de um felino europeu (Felis silvestris) enquanto o gato selvagem africano (Felis lybica), de felinos que ainda existem em ambiente selvagem.

Algumas pistas fornecem evidências convincentes a respeito do início da domesticação felina. Por exemplo, escavações de um campo de sepulturas de 9.500 anos revelaram os restos de um humano enterrados junto a um gato. Partindo dessa evidência, os historiadores acreditam que é bem provável que os humanos dessa época já estivessem bastante apegados a seus amigos felinos. A proximidade entre o humano e o gato indica um enterro intencional e que os gatos possuíam um papel importante naquela cultura.

Mesmo que seja difícil saber quando os gatos se tornaram domesticados, é um pouco mais fácil especular o motivo de os humanos os adotarem. Qualquer criança que já tenha visto o desenho animado "Tom & Jerry" está familiarizada com o notório desafeto dos gatos pelos ratos. Normalmente, os gatos têm mais sucesso em capturar, ou pelo menos assustar sua presa roedora, do que Tom jamais teve. É exatamente essa habilidade que tornou os gatos uma companhia tão interessante para os humanos. Negociando o controle das pestes em troca de alimentação e abrigo, os gatos acabaram superando sua aversão à domesticação.

Os gatos provavelmente não se adaptaram à domesticação tão facilmente quanto os lobos/cães, pois não possuem hierarquia social que permita aos humanos assumir o papel de "líder". Os lobos viajam em matilhas, seguindo um lobo com posto mais alto, mas o gato é um animal solitário e orgulhoso que não aceita ordens de ninguém. Apesar de o gato doméstico ser uma espécie separada, sua independência e o fato da domesticação não ter lhe causado mudanças drásticas, permitiram que gatos selvagens sobrevivessem muito bem por conta própria mesmo se criados no conforto de um lar humano. Portanto, embora não sejam conhecidos por receber ordens de humanos, talvez os gatos permaneçam por perto porque gostam de receber comida deles.

O Egito e os gatos

Assim como os cães, os gatos eram muito importantes para os antigos egípcios (em inglês). Por volta de 1700 a.C., os egípcios concediam aos gatos um status semelhante ao divino e os retratavam em estátuas e pinturas nas paredes [fonte: Bard
]. Os egípcios também costumavam mumificar seus gatos. Inspeções de múmias felinas revelam que os egípcios provavelmente dedicavam tanto cuidado e reverência à essa prática de mumificação quanto dedicavam à mumificação dos humanos [fonte: Owen (em inglês)].

Embora fosse muito bom ter companheiros para caça e para o controle de pestes, os humanos precisavam confiar em mais do que apenas cães e gatos para evoluir a sua civilização. A seguir, veremos como os outros animais auxiliaram o progresso humano nas áreas do transporte e da agricultura.