O início de uma bela amizade: domesticação canina

Autor: 
Jane McGrath

Como um lobo pôde se transformar, de uma fera selvagem e desconfiada, em um animal fofo e obediente pode parecer espantoso ou mesmo inacreditável. Mas os cientistas usaram evidências do DNA (em inglês) para mostrar como provavelmente o cão descende do lobo cinzento.

wolf and dog
Theo Allofs/Photonica Collection/Getty Images and Daly & Newton/Riser Collection/Getty Images
O cão moderno evoluiu do lobo cinzento, transformando-se de um perigoso predador em um amável bichinho de estimação para toda a família

Apesar dos mais antigos fósseis de um cão domesticado serem de uma sepultura de cães de 14 mil anos, a evidência do DNA sugere que os cães se separaram dos lobos muito antes disso (algumas estimativas vão de 15 mil a mais de 100 mil anos atrás) [fonte: Wade (em inglês)]. Independente disso, os historiadores concordam que os humanos domesticaram os cães antes de qualquer outro animal, o que torna o cão o mais antigo amigo do homem, se não o melhor.

Os cientistas apenas supõem como os cães e os humanos iniciaram sua amizade. Uma teoria sugere que os humanos começaram a pegar filhotes de lobos e, em determinado momento, conseguiram domá-los. Outra teoria propõe que os lobos mais mansos não tinham medo de andar em meio aos locais onde os humanos jogavam lixo para procurar comida. Como eles se alimentavam dessa maneira, esses lobos mais mansos tinham maiores possibilidades de evoluir para cachorros devido à seleção natural [fonte: NOVA (em inglês)].

Como os lobos agem em matilhas, foi fácil para os humanos tomar o lugar de "lobo mais importante". Assim, os animais rapidamente aprenderam a obedecer. Como os lobos mais mansos tinham mais tendência a ficar juntos com os humanos, a evolução naturalmente (ou os humanos, intencionalmente) se encarregou de criar lobos cada vez mais mansos, até que finalmente chegamos ao cão. Com uma combinação da engenhosidade humana com a velocidade e a ferocidade do lobo, essa dupla partilhava as recompensas de suas presas capturadas em uma relação mutuamente benéfica.

Porém, essa evolução do lobo para o cão ainda mantém a pergunta: Por que os cães têm aparência e atitudes tão diferentes das dos lobos? Um geneticista russo do século 20, Dmitri Belyaev, conseguiu resolver parte do mistério que envolve o fato de o lobo ter passado por uma transformação tão drástica. Em suas tentativas de criar raposas domadas, Belyaev percebeu que, após várias gerações de procriação seletiva, não apenas as raposas ficaram mais mansas (como ele esperava), mas também começaram a assumir algumas características semelhantes às dos cães.

Apesar da evidência do DNA apontar que os lobos, e não as raposas, são os ancestrais dos cães, esse experimento trouxe à tona surpreendentes revelações a respeito de como o comportamento e a aparência podem ter transformado lobos em cães [fonte: NOVA (em inglês)]. Conforme as raposas ficavam mais mansas, elas também desenvolviam orelhas moles, focinhos curtos, pelagens manchadas, caudas erguidas e até mesmo uma tendência a latir. Surpreendentemente, muitas dessas características são ausentes em raposas selvagens, bem como em lobos, portanto, nem a seleção artificial nem a natural poderiam intencionalmente favorecê-las. Em vez disso, os genes responsáveis pela mansidão devem ter também um código para coisas como orelhas moles.

As descobertas de Belyaev também ajudam a compreender como as diferentes raças de cães acabaram tendo aparências tão diferentes entre si, enquanto os lobos têm aparências relativamente uniformes. A mansidão trouxe uma variação jamais vista nos lobos selvagens e os humanos abraçaram essa variação. Cães pequenos e fofinhos são melhores para esquentar o seu colo, enquanto cães maiores e mais velozes são melhores para a caça. Em vez de escolher um ou o outro, os humanos criaram diferentes cães para diferentes propósitos. No século 19, tivemos um crescimento no número de raças de cães, juntamente com o advento das exposições de cães (em inglês).

Dias de cão no Egito

No antigo Egito (em inglês), os cães eram animais amados e reverenciados. Algumas evidências provam que apenas a realeza podia ter cães de raça pura. Alguns desses cães sortudos usavam colares com jóias e desfrutavam do conforto dos servos pessoais. Os arqueólogos já encontraram cães mumificados nas tumbas de seus donos.

[fonte: Encyclopedia Btritannica]

Agora que já aprendemos sobre a domesticação dos cães, vamos ver como os gatos encontraram o seu cantinho em nossos corações e lares.