Algumas das primeiras evidências da humanidade (e da arte) são ligadas aos animais. Ilustrações em cavernas retratam bisões e veados. Obviamente, os animais tiveram uma parte importante na vida humana no decorrer de nossa história, tornando-se, assim, essenciais à nossa sobrevivência, à nossa história e até à nossa identidade. Parece natural que houvesse um desejo de incorporar e incluir animais em nossas vidas o tanto quanto a alimentação, a companhia, as vestimentas, o leite e outros itens obtidos através deles.
Com base em evidências arqueológicas como os fósseis, os historiadores aprenderam muito sobre o processo da domesticação dos animais pelo homem. A domesticação animal é parcialmente ligada à domesticação humana - ou a mudança dos humanos de caçadores-coletores para fazendeiros. Apesar dos caçadores-coletores já trabalharem com cães domesticados muito antes da domesticação humana, apenas mais tarde os fazendeiros viram os benefícios em manter o seu próprio gado. Conforme as pessoas se tornavam fazendeiros e começavam a se fixar em um local, a criação de gado lhes oferecia a conveniência da carne fresca, bem como esterco para fertilizar as colheitas. Diamond aponta que as civilizações que domesticaram animais (e plantas) conseqüentemente tiveram mais poder em mãos e foram capazes de espalhar suas culturas e linguagens [fonte: Diamond (em inglês)].

Civilizações de todo o mundo antigo domesticaram animais por vários motivos, dependendo de quais animais viviam em suas regiões e do que os animais poderiam fornecer. Certos animais até alcançaram importância religiosa em várias civilizações, como no Antigo Egito (em inglês) e em Roma (em inglês). Abaixo está uma relação de locais onde os animais foram originalmente domesticados.
Baseado naquilo que os especialistas aprenderam sobre o progresso da domesticação animal, quanto mais domesticada uma espécie se torna, mais ela muda. Por exemplo, o cérebro dos animais domesticados pode diminuir e suas habilidades sensoriais podem se tornar menos exatas [fonte: Diamond (em inglês)]. Supõe-se que essas mudanças ocorram porque o animal não precisa do mesmo nível de inteligência ou de sentidos de visão e audição apurados para sobreviver domesticado. Outras mudanças comuns incluem orelhas moles, pêlos cacheados e, principalmente, mudanças no tamanho do animal e nos seus hábitos de acasalamento. Animais domesticados têm maior possibilidade de se acasalar em qualquer época do ano, e não em determinadas temporadas, como fazem em ambiente selvagem [fonte: Encyclopedia Britannica]. Essas e outras mudanças costumam fazer com que os animais domesticados pareçam drasticamente diferentes de seus ancestrais selvagens.
Os próprios humanos passaram por mudanças significativas como resultado da domesticação animal. Por exemplo, o leite alterou o nosso sistema digestivo. Antes da domesticação animal, as pessoas tinham uma intolerância natural à lactose. Hoje em dia, não é sempre assim. Quando os humanos começaram a criar gado, começaram a beber mais leite e isso adaptou o nosso sistema digestivo para aceitar o leite no decorrer de nossas vidas.
A seguir, veremos como a lendária evolução do cão pode ter criado o mais antigo e fiel companheiro animal da humanidade.