Um animal completamente diferente: como ocorre a domesticação

Como é possível que criaturas selvagens, como os lobos, possam ser ancestrais de lindos cães pomerânios? Para entender isso, precisamos primeiro saber como funcionam a genética e a evolução. As crias dos animais herdam os genes de seus pais e esses genes indicam quais características a cria terá. A variedade de genes e a possibilidade de mutação permite que as espécies animais mudem ou evoluam com o passar do tempo. Durante o processo de seleção natural, os animais com características que lhes permitam melhor sobrevivência serão os que mais provavelmente procriarão, até que, gradualmente, os únicos membros sobreviventes sejam aqueles que herdaram essas características.

porcos comendo em uma calha
Andrew Sacks/Stone Collection/Getty Images
Os porcos foram grandes candidatos à domesticação por causa de sua dieta flexível
Com a seleção artificial, os humanos escolhem as características dos animais que são desejáveis em suas crias. Por exemplo, se as pessoas quiserem cavalos maiores para levar suas cargas, elas podem deixar o maior macho e a maior fêmea juntos e encorajá-los a procriar. Assim, aumentam as chances de que as crias também sejam grandes. O uso de outro cavalo grande para procriar com essas crias dará continuidade ao processo, até que, por fim, após algumas gerações de pessoas prosseguirem com o processo em algumas gerações de cavalos, toda a espécie dos cavalos será maior. Por meio do mesmo processo, os humanos podem procriar animais para serem de determinada coloração, mais peludos, menores, mais dóceis ou mais fortes, entre outras coisas. É assim que os humanos domesticam os animais, a ponto de os lobos, em determinado momento, terem se tornado um animal diferente, dócil o suficiente para ser mantido em casa; as ovelhas darem mais lã; e os cavalos permitirem que os cavalguemos.

Se isso é verdade, então por que nunca vimos um panda de estimação ou alguém cavalgando uma zebra? Acontece que não podemos domesticar todos animais. O biólogo Jared Diamond escreve que os humanos realmente tiveram sucesso em domesticar apenas 14 espécies animais de um total de cerca de 148 [fonte: Diamond (em inglês)]. Ele acredita que para os humanos domesticarem uma espécie animal, ela normalmente deve atender aos alguns critérios.

  • Dieta correta - crianças muito exigentes com a comida sempre complicam a vida de suas mães, então é possível imaginar as frustrações envolvidas em se manter um animal com paladar seletivo. Como muitos animais têm necessidades dietéticas específicas e os carnívoros precisam de alimentação mais cara, os humanos podem domesticar apenas animais que comem alimentos baratos e acessíveis.

  • Alta velocidade de crescimento - a espécie deve crescer rapidamente para que pastores e fazendeiros tenham um retorno rápido do investimento na sua criação.

  • Disposição amigável - animais naturalmente agressivos normalmente não gostam quando tentam capturá-los e não deixam que os humanos cuidem deles.

  • Facilidade para procriar - se o animal se recusa a procriar sob as condições que os captores humanos oferecem, então é claro que o seu período sob controle humano será curto.

  • Respeito a uma hierarquia social - quando em liberdade, se os animais formam estruturas sociais nas quais todos seguem um membro dominante, então os humanos podem se estabelecer como líderes da matilha.

  • Resistência ao pânico - muitos animais enlouquecem quando são presos, cercados ou percebem uma ameaça. As vacas, por outro lado, permanecem razoavelmente complacentes e imperturbáveis, apesar dessas condições, por isso são mais fáceis de serem domesticadas.

Pandas e zebras são muito violentos e as tentativas humanas de domesticá-los foram frustradas. Porém, percebemos algumas exceções ao examinar a lista de Diamond. Por exemplo, o lobo (antepassado do cão) não é agressivo? E as histórias dos cães e gatos são exemplos únicos sobre os quais aprenderemos um pouco, mais adiante.

Na próxima página, veremos a longa história da domesticação.