Existe mesmo a crise dos sete anos?

Autor: 
Molly Edmonds

 

A crise dos sete anos, como em O Pecado Mora ao Lado, pode ter sido inventada por um comediante caipira, um autor da Broadway e um psiquiatra fictício
Reprodução
A crise dos sete anos, como em "O Pecado Mora ao Lado", pode ter sido inventada por um comediante caipira, um autor da Broadway e um psiquiatra fictício

Em 1955, Marilyn Monroe entrou para a história do cinema quando parou sobre uma grade do respiradouro do metrô. Uma lufada de ar do trem que passava abaixo levantou a saia plissada do seu vestido branco, que ela, de forma faceira, tentava manter no lugar. Décadas mais tarde, a cena icônica de "O Pecado Mora ao Lado" ainda é recriada ou lembrada em vários filmes e programas de televisão.

Essa cena famosa não é único legado do filme. A teoria por trás do título em inglês ("The Seven Year Itch", ou a coceira dos sete anos) - que uma pessoa casada sente necessidade de trair ou se separar depois de sete anos - se tornou um termo onipresente na terapia de casais, nas revistas femininas e na cultura popular. No Brasil, essa "coceira" é conhecida como crise dos sete anos. Antes de 1952, no entanto, quando "O Pecado Mora ao Lado" estreou na Broadway, alguém que se queixava de uma coceira de sete anos provavelmente tinha um doença de pele desconfortável, como erva venenosa ou sarna, não um problema de relacionamento.

O escritor George Axelrod ouviu o termo de um comediante que se especializou em piadas sobre caipiras, animais de fazenda e mulheres feias. Sobre uma mulher feia em particular, o comediante alegou que ela poderia dizer que ela tinha mais de 21 anos porque ela tinha tido a coceira dos sete anos quatro vezes. Axelrod não achava que essa era uma fala particularmente engraçada - ele a chamou de repugnante para o escritor William Safire em 1992 - mas ela estava grudada em sua cabeça quando ele buscava um título para sua peça sobre um homem considerando ter um caso enquanto a mulher estava fora. Antes de Axelrod adotar o título, o personagem principal estava casado havia dez anos, não sete.

Mas sete tinha um apelo melhor que 10, então Axelrod mudou o roteiro. O personagem principal descobre a ideia da coceira dos sete anos quando ele revisa o livro de um psiquiatra que alega que um alto percentual dos homens se separa durante seu sétimo ano de casamento. Em outras palavras, temos de agradecer a um psiquiatra fictício, a um autor de teatro americano e a um comediante caipira pela ideia da crise dos sete anos. A questão é, eles acidentalmente tropeçaram num fenômeno real?  Ou a ideia de que os homens se separam aos sete anos de casamento é apenas ar quente - do tipo que faz subir a saia da Marilyn Monroe?