Como funciona a linguagem de sinais do bebê

Os bebês têm desejos e necessidades desde os primeiros meses de vida. No entanto, a capacidade de expressar isso verbalmente ainda não foi desenvolvida. Como isso só virá a acontecer geralmente depois dos dois anos de idade, para o período intermediário muitos pais e mães usam o artifício da linguagem de sinais para obter uma melhor comunicação com seus filhotes e evitar que as crianças se frustrem ao não serem atendidas em suas carências básicas.

A linguagem de sinais é uma combinação de gestos e olhares que reflete o significado de desejos como "quero comer", "estou com sede", "me dá o brinquedo" e podem ser ensinada à crianças bem antes que elas desenvolvam a habilidade da fala.

Quando a linguagem de sinais pode ser ensinada?

Isso vai depender de como a criança está se desenvolvendo e a introdução dos sinais na vida do bebê deve ser feita aos poucos. Na medida em que ela for aprendendo os primeiros e mais importantes, novos sinais podem ser incluídos em seu dia a dia.

Normalmente, os primeiros passos podem ser dados com crianças entre seis e nove meses de idade. No princípio, talvez o bebê não reproduza os sinais, mas isso ocorrerá com o tempo. O mais comum é que entre os sete e 12 meses de idade as crianças comecem a sinalizar de volta para os pais.

A partir de um ano de idade a criança já pode passar para um segundo estágio com a introdução de novos sinais. A terceira etapa e o ciclo final desse aprendizado acontece após os dois anos, quando a linguagem de sinais passa a ser combinada também com a emissão das primeiras palavras.

Ainda que esses conselhos sejam para a população geral, não há como determinar exatamente o momento em que a linguagem deva começar a ser ensinada. Alguns pais fazem isso já a partir do nascimento. Outros esperam até que os bebês completem um ano. Boa parte dos especialistas, no entanto, acredita que o melhor momento é quando a criança tem a capacidade de sentar sozinha, o que acontece entre seis e nove meses de idade, por isso essa é a idade usada como padrão para o início do aprendizado. Porém, não é uma regra.

Como os pais devem proceder?

Ao perceber que a criança está pronta para começar o aprendizado, pais e mães precisam ser consistentes. Ou seja, precisam definir o vocabulário que vai ser ensinado e chegar a um acordo em relação aos sinais que refletirão seu significado. Um gesto deve significar sempre a mesma coisa. A repetição é fundamental.

Isso não quer dizer que eles devam se fechar à criatividade da criança. O bebê pode criar seus próprios sinais. E, se o fizer, fiquem abertos a isso e passem a adotar o gesto ou o adaptem ao que normalmente é aconselhado pelos especialistas.

Não repreenda a criança se ela não repetir o gesto corretamente nas primeiras vezes em que ele for ensinado. Isso também acontece quando está sendo ensinada a falar, ler e escrever. É preciso ter paciência e compreensão em relação ao processo de aprendizado de cada um.

Use todo o rosto e o corpo no processo. Isso chamará a atenção da criança e a deixará mais interessada em aprender. Inclusive, mude seu tom de voz na hora de pronunciar a palavra associada ao sinal.

Qual é o vocabulário básico?

A definição das palavras da primeira leva deverá considerar as necessidades básicas da criança. Então, coloque nessa lista "água", "leite", "suco", "xixi", "cocô", "cama" (para quando ele estiver com sono), "banho", mas não se esqueça também que divertimento é essencial. Então, insira itens como "cachorro" ou "au au" para facilitar, "gato", "brinquedo", enfim, coisas que sejam lúdicas para o bebê.

Quando você começar a sinalizar, faça isso antes, durante e depois da atividade. Por exemplo, quando for dar a mamadeira ao bebê, diga "papinha", "leite" ou "comida", enfim, o que escolher para esse item, antes de começar a alimentá-lo, durante o processo e assim que encerrá-lo. Faça isso todas as vezes de maneira consistente.

Como saber quais gestos fazer para relacionar com as palavras?

Cada família, naturalmente, pode desenvolver juntamente com seus filhos um gestual específico. Porém, há alguns movimentos padronizados por especialistas que facilitam essa comunicação.

É possível encontrar vídeos, cartões e até mesmo pequenos dicionários postados gratuitamente na Internet. No entanto, as melhores páginas estão em inglês.

O site Baby Sign Language (http://www.babysignlanguage.com/dictionary/) tem um mini dicionário com uma série de palavras representadas por gestos em vídeos curtos e também em cartões que podem ser impressos. Tudo gratuito.

O site da American Sign Language traz um resumo das palavras que servem para o início do aprendizado (http://www.start-american-sign-language.com/sign-language-for-infants.html) com vídeos bem curtos e também oferece um dicionário gratuito (http://www.start-american-sign-language.com/american-sign-language-dicti...).

Qual é o melhor momento para ensinar?

A hora de alimentação é considerada o melhor momento para o aprendizado, pois os bebês estarão mais atentos. O banho e a preparação para ir dormir também é proprício para ensiná-los a como se referir a essas ações.

Porém, o fato de sua criança aprender um sinal e querer utilizá-lo não é uma garantia de que terá suas vontades atendidas. Se ela desejar um brinquedo e não for a hora de brincadeira, não tenha medo de se recusar a fornecer o objeto. Ele saberá interpretar que o não foi motivado por não ser o momento adequado para esse tipo de atividade.

Quais as vantagens da linguagem de sinais?

Os especialistas apontam algumas vantagens do ensino da linguagem de sinais para bebês. Uma delas é a diminuição da sensação de frustração das crianças, uma vez que elas conseguem expressar o que desejam e, dessa forma, são atendidas com maior frequência pelos pais. Isso também cria um vínculo maior da família e ainda ajuda na aceleração do processo de desenvolvimento da fala.