Como ajudar uma criança tímida a se desenvolver

No princípio, os pais poderiam ter achado que aquilo era um sonho que se tornara realidade. Seu filho, ou filha, quietinho, sem dar qualquer problema em casa, na escola, na casa dos amigos. Um exemplo de atitude.

Porém, o que parecia ser bom comportamento, na verdade, era excesso de timidez. E quando houve necessidade de a criança dar um passo à frente e se manifestar, esse tipo de prática causou problemas em seu desenvolvimento.

Timidez não é doença, mas pode levar à fobia social

Timidez não é doença. Cada pessoa nasce com características próprias que são ampliadas ou diminuídas de acordo com o ambiente em que vive. Ninguém é obrigado a ser extrovertido. Todavia, quando a tranquilidade e quietude em excesso se tornam prejudiciais e passam a interferir negativamente na vida da criança é chegado o momento dos pais, quando atentos, interferirem para auxiliar sua cria a superar essa barreira.

Geralmente, a timidez está relacionada com a autoestima. Temendo não ser aprovada pelos outros indivíduos a pessoa prefere não se manifestar e ficar em seu canto. Dessa forma, não interage, evita contato e os outros são vistos como uma ameaça a seu modo de ser. Com o tempo, pode desenvolver uma fobia social.

Sintomas são claros e fáceis de perceber

Os sintomas da timidez são facilmente perceptíveis e incluem até mesmo alguns sinais físicos como o rubor na face, orelha ou na região do pescoço. A fala em volume muito baixo ou mesmo sem fluência (gaguejar) é outra característica bastante comum, assim como a fuga do contato visual e fato de o tímido praticamente não utilizar os gestos, limitando ao máximo sua linguagem corporal.

Embora parte desse comportamento possa ter origem genética, muito é desenvolvido ou amplificado pela forma de educação a que a criança é submetida e a modificação desses meios pode ajudar com que a timidez seja combatida auxiliando o processo de integração.

Veja a seguir algumas dicas de como os pais podem ajudar os filhos neste processo:

1) Incentive o convívio com outras crianças

Não prenda o seu filho em uma bolha. Leve-o para o convívio com outras crianças. Aceite convites para festas infantis. Vá a parques, clubes, peças de teatro, cinema. Chame casais que tenham filhos na mesma faixa de idade para sua casa. Porém, faça isso de forma natural, sem pressionar a criança.

2) Inclua a criança nas tarefas da casa

Não deixe seu filho isolado mesmo dentro de sua própria casa. Faça com que ele participe das atividades rotineiras incluindo-o nas tarefas do dia a dia. Dê a ele ou a ela pequenas tarefas de acordo com sua idade para que as crianças possam se sentir úteis e participantes da família. Coisas como recolher o lixo do banheiro, trocar a roupa de cama, enfim, algo que realmente precise ser feito. Não invente algo só para essa finalidade.

3) Modere as críticas

O medo de não agradar os outros é provavelmente o principal motivo de os tímidos não se manifestarem, especialmente em relação às pessoas que mais amam. Logo, as críticas direcionadas em relação a eles devem ser repensadas. Obviamente as conversas com esse conteúdo não podem ser banidas. Devem ser realizadas, quando necessárias, sempre falando olho no olho, mas de forma calma, pausada, sem gritos.

Sempre faça as críticas em relação ao comportamento que deve ser modificado, não direcionado ao indivíduo. E quando isso for feito, sempre converse em particular com a criança. Evite a presença de outros membros da família e, principalmente, de colegas e amigos de seu filho, o que pode deixá-lo ainda mais constrangido.

4) Faça elogios

Assim como são feitas críticas quando elas são necessárias, os elogios não devem ser poupados quando seu filho fizer uma coisa boa. Diga o quanto você o ama por ele ter se comportado bem, que está orgulhosa de suas atitudes e da melhoria de seu comportamento. Isso servirá de incentivo para que ele mantenha-se firme na tentativa de aprimoramento e irá elevar sua autoestima ajudando no combater da timidez.

5) Seja proativa

Se a criança tem dificuldades em tomar a frente e iniciar brincadeiras com os colegas, seja proativa e proponha alguns jogos de tabuleiro, por exemplo. Inicie a atividade e, depois, saia de perto e deixe o jogo correr. Eventualmente faça a mediação de conflitos que possam surgir, mas sempre procure, na medida do possível, deixar que as próprias crianças resolvam suas pendências.

6) Demita a porta-voz

Quando alguém for falar com seu filho, evite falar por ele. Mesmo que a criança se mostre tímida a princípio, dê um tempo para que ela responda. Afinal, a pergunta foi direcionada a ela e não a você.

7) Ambientação

Uma boa ferramenta para diminuir a ansiedade da criança e combater um pouco sua timidez em algumas situações é levá-la a conhecer os ambientes que vai enfrentar com antecedência. Por exemplo, se um colega chama para sua festa de aniversário em uma loja de fast food, vá na véspera e mostre onde vai ser o evento. Assim, no dia da comemoração seu filho já estará ambientado e poderá conviver melhor com os amigos. O mesmo pode ser feito antes do primeiro dia de aula levando-o para ver a sala que irá frequentar.

8) Evite atividades que o isolem

Tente evitar ou ao menos limitar as atividades que isolem seu filho do convívio de familiares ou amigos. Nisso está incluído, por exemplo, jogar vídeo game ou assistir TV sozinho no quarto. Se for para fazer isso, que seja na sala, com amigos ou outras pessoas da família, com que possa conversar durante a brincadeira ou programa.

9) Não force a barra

Respeite os limites da criança. Não a obrigue a fazer coisas que estão muito além de suas possibilidades. Talvez ela tenha condições de apresentar um trabalho em sala de aula, mas ainda não consiga dançar quadrilha na festa junina. Se você a obrigar a dar um passo além do que ela é capaz de fazer no momento, talvez se feche e não faça nenhum dos dois.

10) Paciência

Como em praticamente tudo na vida é preciso ter muita paciência. Seu filho, tímido hoje, não será um ator se apresentando para uma plateia lotada amanhã. O processo acontece passo a passo.