Treinando cães para auxiliar pessoas com deficiências

No final de década de 90, dúzias de organizações surgiram para treinar cães-guias, cães-ouvintes e cães para auxiliar pessoas com deficiências físicas. Cada grupo era diferenciado de certa forma em seus métodos e padrões. Contudo, estes programas geralmente seguem a mesma sequência básica.

A maioria dos cães nestes programas inicia seu treinamento ainda filhotes, vivendo com uma família adotiva voluntária. Os filhotes aprendem comandos básicos como sentar, deitar e ficar. E eles vão a todos os lugares que os membros da familia vão, para se acostumarem a uma variedade de lugares e atividades. Com cerca de 13 ou 14 meses de idade, os filhotes são levados para uma escola de treinamento, onde aprendem as tarefas básicas de seu serviço.

Cães-guia aprendem a usar um arreio e praticam certos exercícios para aprenderem a parar na beira das calçadas e desviar as pessoas cegas de obstáculos. Cães-ouvintes aprendem tarefas como acordar seus donos quando o despertador toca, e correr para a porta quando a campainha toca. Cães-ouvintes devem não apenas dominar as tarefas, como os cães-guia, mas também aprender a executar as tarefas sem depender de um comando de seu dono. Cães que auxiliam deficientes físicos aprendem de 60 a 80 comandos específicos, incluindo pegar coisas com cuidado, abrir e fechar portas e gavetas, ligar e desligar luzes, e empurrar cadeiras de roda. Programas de treinamento para cães-guia e ouvintes duram de 5 a 6 meses. O treinamento de cães que auxiliam deficientes leva cerca de 8 meses, pois estes cães precisam aprender um número maior de tarefas.

Uma vez que o cão-guia, ouvinte, ou de auxílio a deficientes tenha sido treinado, ele é designado para uma pessoa baseando-se nas suas necessidades e na compatibilidade de temperamentos entre o cão e seu novo dono. Os donos repassam e reforçam os comandos com seus cães regularmente, para que os cães continuem a executar tarefas específicas.

Uma característica interessante de alguns cães que auxiliam pessoas é a habilidade de detectar e alertar seus donos sobre um ataque epilético antes que ele ocorra. Geralmente o cão usa algum comportamento incomum - algo como choro para um cão que nunca chora - para alertar a pessoa sobre um ataque iminente. O aviso dá tempo para que a pessoa com epilepsia possa sentar-se ou deitar-se num local seguro. Ninguém sabe como o cão sente que o ataque está para acontecer. Ainda assim, estudos publicados pelo veterinário britânico Andrew Edney em 1993, sugerem que os cães podem sentir o odor que uma pessoa produz quando o ataque se inicia. Ou, o cão pode notar algumas pequenas mudanças no comportamento do dono que nem a própria pessoa, nem alguém próximo pode perceber. Cães das raças Collie, Retriever, Terrier, e raças híbridas estão entre os que possuem esta habilidade.

Pesquisadores descobriram que cães-guias, ouvintes e que auxiliam deficientes trazem benefícios a seus donos que vão além de ajudar nas tarefas do dia-a-dia. Em um estudo de 1996, feito por Lynette Hart e seus colegas, indivíduos surdos com cães-ouvintes disseram sentir menos stress e solidão do que sentiam antes de terem a companhia dos cães. Os donos de cães-ouvintes disseram que os cães fazem com que seja mais fácil conhecer pessoas. Eles explicaram que como a presença dos cães faz com que a deficiência seja mais evidente para outras pessoas, situações sociais tornaram-se menos estressante para eles. Em outros estudos, os psiquiatras James Lynch e Aaron Katcher, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, e a psicóloga Erika Friedmann da Faculdade Brooklin da Universidade Estadual de Nova York descobriram que a interação com os cães faz com que o ritmo cardíaco diminua, assim como a tensão muscular, e faz com que a respiração torne-se mais regular.

Os próprios cães têm sido o objeto de muitas pesquisas. Nos anos 80, por exemplo, Lynette Hart e seu marido, Benjamin Hart, também um comportamentalista animal da Universidade da Califórnia, em Davis, conduziram um estudo sobre comportamento canino. Eles procuraram aprender como características específicas, como agressividade, excitabilidade e sociabilidade, podem ter mudado em diversas raças conforme os cães foram cruzados para enfatizar certos atributos físicos ou tarefas específicas. Os Hart entrevistaram mais de 100 autoridades - principalmente juízes de shows de cães e veterinários - e documentaram o que os criadores de cães sempre alegaram: os cães demonstram uma incrível variedade de comportamentos.