Como fazer acabamentos sem prejudicar o meio ambiente

Autor: 
Seleções do Reader's Digest, do livro "Salve o Meio Ambiente"

Selo Reader’s

A escolha do piso e do acabamento das paredes depende do gosto pessoal e do clima, mas é aconselhável dar importância aos efeitos que esses produtos podem ter na qualidade do ar de casa. Uma escolha criteriosa deve reduzir a exposição a produtos químicos nocivos e provocar menos prejuízos ao meio ambiente.

Piso e acabamento do piso

A produção de alguns tipos de piso tem elevado custo ambiental. Dê preferência a opções naturais.

  • Pense nas características necessárias em cada ambiente. Pisos duros são ideais para ambientes de trânsito intenso, como corredores e cozinha, e pisos macios são indicados para quartos e algumas áreas comuns.
  • Embora sejam bonitos e confortáveis, carpetes novos trazem um risco elevado de liberação de substâncias químicas graças aos diferentes tratamentos aplicados durante sua produção. Se essa opção for inevitável, escolha um produto feito de fibras naturais, que não tenha passado por processos químicos.
    Atenção!
    Certifique-se de que os
    benefícios de pisos naturais não sejam reduzidos ou eliminados pelo uso
    de adesivos químicos nocivos e tinturas. Tente aplicar apenas
    acabamentos naturais.

  • Caso seja necessário aplicar um revestimento sob o carpete, prefira borracha reciclada ou látex natural, em vez de material sintético, que exige muita energia para ser produzido e libera gases nocivos.
  • Peça ao responsável pela instalação que utilize grampos ou tachas em vez de adesivos sintéticos. Se não for possível, exija um adesivo atóxico ou à base de água, que contém baixos níveis de compostos orgânicos voláteis (COVs).
  • Qualquer que seja o tipo de carpete, mantenha a área bem ventilada durante a instalação e não use o ambiente por, no mínimo, três dias. Evite instalar carpetes em quartos ocupados por bebês ou mulheres grávidas.
  • Considere um piso de madeira, que é delicado sob os pés, fácil de limpar e não serve de abrigo para ácaros. Escolha tábuas feitas de madeira oriunda de fontes sustentáveis ou, preferencialmente, de segunda mão, que costuma ter qualidade muito superior à dos produtos disponíveis atualmente. No caso de madeira nova, certifique-se de que não foram usados tratamentos químicos ou impermeabilizantes.
  • Considere pedras ou ardósia para o piso, principalmente se puderem ser obtidas no próprio terreno. Embora não-renováveis, estes materiais são abundantes, duráveis e absorvem calor.
  • Em ambientes de circulação intensa, principalmente em regiões de clima quente, avalie a possibilidade de usar azulejos ou ladrilhos de terracota. Estes materiais provêm de fontes não-renováveis, porém abundantes, exigem relativamente pouca energia na produção, não liberam gases e são recicláveis.
  • Em vez de cobrir um piso de concreto com outro material, aplique apenas um acabamento superficial. O concreto polido é resistente, impermeável e bonito, em especial quando misturado a um corante natural.
  • Pisos de mosaico também são uma boa alternativa em regiões de clima quente. Fragmentos de mármore são misturados ao concreto, que depois recebe polimento. É uma opção bonita e mais barata que o mármore!
  • Evite pisos que contenham PVC e vinil. Sua produção envolve a liberação de substâncias tóxicas e, para pessoas alérgicas, é uma opção tão nociva quanto o carpete. O descarte também resulta em depósito de substâncias químicas nos aterros sanitários.

Nas paredes

  • Aposte na simplicidade. Dispense papéis de parede e forros, a não ser que proporcionem ganho de eficiência, funcionando como isolantes, por exemplo. Escolha acabamentos fáceis de aplicar, como argamassa, cal e tinta.

    Superdica

    Para remover papel de parede antigo, use uma mistura de 300 ml de vinagre dissolvidos num balde de água, que soltará a cola e facilitará a retirada do papel com uma espátula. Outra opção é utilizar um removedor a vapor.

  • Avalie bem a opção pelo papel de parede. Pode ser uma solução bonita, capaz de disfarçar falhas na superfície, mas alguns produtos contêm tintas nocivas, fungicidas e COVs.
  • Se fizer questão do papel de parede, procure produtos reciclados e use adesivos à base de água na aplicação, em vez de colas químicas. Para evitar fungos, junte bórax ao adesivo.
  • Avalie a possibilidade de usar placas de cortiça em áreas que requerem bom isolamento acústico e térmico. A cortiça é renovável e reciclável. Impermeabilize-a com cera de abelha ou óleos naturais.

    Áreas danificadas

    Como a cortiça é vendida em pequenas placas, áreas danificadas podem ser substituídas de forma simples e barata.
  • Para áreas como a cozinha e o banheiro, o azulejo é a melhor opção, por ser fácil de limpar e evitar mofo e bactérias. O vidro reforçado é uma alternativa para a cozinha.

Prós & contras - Carpetes

Os carpetes tradicionais proporcionam uma sensação de calor e conforto, principalmente em climas mais frios. E também oferecem isolamentos térmico e acústico, além de serem duráveis e bonitos. No entanto, ocorrem prejuízos ambientais em praticamente todos os estágios de produção e uso.

A fabricação envolve dezenas de substâncias poluentes e, depois de instalados, os carpetes liberam gases – incluindo COVs – por muito tempo. Até os feitos de fibras naturais podem ser tratados com substâncias antimanchas e antichamas que continuam evaporando por anos. Os carpetes também abrigam ácaros que causam alergias e crises de asma. Além disso, a poeira tende a absorver outras toxinas da atmosfera.

Pisos ecologicamente corretos


Existe uma grande variedade de materiais naturais para o piso. Assegure-se de que não tenham passado por tratamentos químicos e não aplique impermeabilizantes sintéticos.

  • Bambu - tábuas feitas com bambu são duráveis, resistentes à umidade, não entortam e não têm nódulos e outras falhas de madeira. Verifique se foram aplicados adesivos à base de formaldeídos ou impermeabilizantes sintéticos.
  • Fibra de coco - retiradas da casca do coco, as fibras trançadas formam um material bastante resistente. É uma opção perfeita para ambientes de circulação intensa, como corredores e áreas de convívio.
  • Cortiça - obtida da casca do sobreiro, a cortiça é retirada uma única vez a cada 9 anos, período em que a árvore se regenera. O cultivo não requer irrigação, fertilizantes ou pesticidas. A cortiça é macia e quente, funciona como excelente isolante e não acumula poeira.
  • Juta - produzida com as fibras das hastes do Corchorus, é um material macio e absorvente, ideal para os quartos. Não é indicada para cozinha, banheiro e áreas de convívio.
  • Linóleo - feito a partir das fibras e do óleo do linho, cortiça granulada, madeira, farinha e resinas naturais. Usado com a juta, o linóleo não emite gases tóxicos e também é antiestático, fácil de limpar e biodegradável.
  • Alga marinha - fibras de várias espécies são usadas em um material resistente, durável e com propriedades antiestáticas e antimanchas. Não é indicado para ambientes úmidos.
  • Sisal - feito com fibras do agave, o sisal é durável, antibacteriano e antiestático.

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